Eu me lembro bem da tarde que eu estava lendo um livro muito bom, chamado O rio trás, o rio leva, de Ganimédes José, um paradidático de colégio, eu tinha uns dez anos de idade. Não me lembro muito bem sobre o que se tratava, só me lembro que gostei muito na época. Eu e minha vizinha trocávamos livros, e acho que até hoje esse livro está com ela.
Bem, eu estava lendo esse livro e de repente meu pai aparece e me mostra uma fita VHS. Um amigo dele tinha-lhe dado, e por ignorar e pouco se importar com o conteúdo daquilo, meu pai deu para mim: tratava-se justamente do Réquiem de Mozart, regido pelo maestro George Solti. Estranho aquilo ter aparecido nas minhas mãos daquela forma. Bem, claro que conhecia Mozart, mas conhecia apenas aquelas melodias mais comuns, que até o público mais comum conhece, como Eine Kleine Nachtmusik. Eu ainda não entendia de música erudita (depois filosofaremos a respeito desse termo) como entendo hoje, apenas conhecia dois nomes: Mozart e Beethoven, e dizia que gostava deles. Caramba, nem Bach eu conhecia...
Bem, quem está acostumado com aquelas melodias agradáveis de se ouvir tomando banho de chuva, aquelas músicas que te deixam extremamente feliz, ou simplesmente indiferente, digamos... quando começou aquele movimento lento, o Introitus, aqueles primeiros compassos, até ali tudo bem. Até a entrada do coral. Foi a primeira vez que vi um coral. Fiquei apenas fascinado. O kyrie e depois a Dies Irae logo em seguida era outra arte: uma grande guerra de timbres vocálicos. Caramba, poderia ter morrido de medo... mas como aquilo era bonito.
Engraçado, tem uma amiga minha que tem trauma daquela música: estávamos juntos, ela a me apresentar as as suítes para violoncelo de Bach, depois perguntei se ela já tinha assistido o Requiem de Mozart: entusiasmada, porque não tinha escutado ainda, pus o DVD (adquiri aquele vídeo VHS em DVD depois). Ela começou a assistir; no segundo movimento, rapidamente me pediu para mudar de faixa fazendo uma careta horrorosa... o pai dela pôs aquela música quando ela era pequenina, e a criança ficou com medo; o trauma inconsciente estava ali. O resto ela assistiu com o maior prazer. Outra amiga tem medo de O Fortuna de Orff, mas não vou perder tempo aqui, visto que só pode ser traumas de infância.
Engraçado naquele vídeo eram as caretas de Solti regendo, imperdível, assim como a mezzo-soprano Cecília Bartoli "cacarejando". De certa forma, estas observações extra-musicais amenizam o impácto imediato, pois você começa a rir. Mas todos estavam ótimos, tudo muito bem interpretado. Foi uma experiência ótima para mim.
Para os que ainda não ouviram: é impossível ficar indiferente. Logo postarei o Requiem de Mozart para vocês conferirem. Aguardem. Quem sabe amanhã...
É tão bonito ver como você fala de música Biel.
ResponderExcluirMe encanta!
xêro, Fafá.
Belissimoooo
ResponderExcluirEscreves muito bem meu lindo!
Parabéns!... E movimente o blog... Vou ficar acompanhando.
BjO*